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A NECESSIDADE DE UM PLANEJAMENTO FINANCEIRO



INTRODUÇÃO
É fundamental que a família entenda e aplique o princípio da mordomia cristã no uso do dinheiro e dos bens, pois tal atitude evitará muitos desgastes e resultará em melhor proveito para o bem-estar de todos no lar.

1. PLANEJAMENTO, UM PRINCÍPIO BÍBLICO

Um dos aspectos mais relevantes na vida familiar é o que envolve as finanças, requerendo atenção e equilíbrio no trato com as mesmas. Para tanto, é fundamental que o planejamento faça parte das ações que envolvem este aspecto. É importante sabermos que a Bíblia também trata deste tema que envolve a família.
1.1. Evitar a precipitação.
No dicionário encontramos várias ideias sobre “precipitação” ou “precipitado”, que são bastante adequadas para serem consideradas quando o assunto é economia doméstica: “pressa irrefletida; imprudente”. Infelizmente, não são poucos casais que iniciam a vida conjugal de maneira precipitada e irrefletida, pois se deixam ser dominados pelas emoções e desejos. Interessante notarmos que o Senhor Jesus usou por duas vezes a expressão “se assenta primeiro” nas parábolas sobre discipulado [Lc 14.28, 31].

Tal princípio também pode ser aplicado quando o assunto é casamento e economia doméstica, considerando que faz parte da vida do discípulo de Cristo.
Aprendemos, assim, a importância de refletirmos e não sermos apressados na administração financeira do lar.

Lia Temple Ciribelli, terapeuta familiar, escreveu sobre finanças no casamento: “Diferentes estudos sobre vida conjugal apontam que as discordâncias financeiras estão dentre os fatores primeiros para o divórcio. Se você fizer uma rápida busca na internet ou pensar em casais que conhece que separaram, verá que o dinheiro quase sempre aparece como motivos de brigas conjugais, seja pela falta, pelo excesso ou simplesmente por desacordo na administração (...)”.

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1.2. É preciso cuidado com as dívidas.
É evidente que a realização do casamento e a lua de mel são momentos marcantes na vida de um casal. É natural que o casal deseje organizar uma festa especial e uma viagem para após a cerimônia. Porém, o ideal é que tudo seja planejado com antecedência, inclusive o aspecto financeiro. A Bíblia recomenda prudência para não contrair dívidas acima da capacidade financeira [Pv 22.26-27]. Para tanto, o casal precisa agir com planejamento, análise, sinceridade e transparência. Os jovens casais têm sido tremendamente influenciados e pressionados pela força do consumismo e pelo marketing. É preciso prudência e domínio próprio.

Erika Strassburger, em artigo no site família.com.br, aborda a questão financeira na preparação do casamento apresentando algumas sugestões, entre outras:
“1) Definir o padrão de vida que terão inicialmente;
2) Definir o papel de ambos nas finanças da família; 3) Organizar as finanças;
4) Investir no futuro;
5) Evitar despesas e dívidas desnecessárias”. Ou seja, é possível administrar com equilíbrio as finanças do lar, porém, é fundamental que o casal esteja consciente da importância do diálogo e do planejamento.

1.3. A relevância do local de moradia.
Evidentemente que nem todo casal consegue iniciar a vida conjugal em um imóvel próprio. Contudo, não significa que este aspecto não necessite de diálogo e planejamento para uma definição. Há um princípio bíblico que deve ser considerado também neste aspecto: “...deixará...e apegar-se-á” [Gn 2.24].
Dependendo de como é a relação com os pais ou os futuros sogros, é muito difícil o início da vida conjugal quando o casal decide morar com os pais ou muito próximo. Pois prejudicará a adaptação e o amadurecimento do casal, além da possibilidade de provocar conflitos que podem afetar a relação conjugal. Às vezes, o mais prudente é adiar o casamento até que o casal esteja com uma estrutura financeira mais adequada à realidade de uma vida conjugal.

Às vezes começamos errado por falta de instrução, de conhecimento da verdade, ou porque queremos agir apenas com nossos impulsos. A Palavra de Deus é sempre nossa bússola. Ela tanto nos previne quanto nos orienta nas questões da vida. Um pouco de sensibilidade e veremos como as famílias que se formaram sem planejamento lutam para sobreviver e estar de pé em nossa sociedade. É uma luta constante, que poderia ter sido evitada se houvesse planejamento [Lc 14.28-30].

2. Administrando com sabedoria

As necessidades e os desejos de aquisição em conjunto com os vários imprevistos normalmente excedem os recursos financeiros da família. Assim, é muito importante buscar no Senhor sabedoria para administrar os recursos disponíveis.

2.1. Arrecadar mais do que gasta.
Quem não gostaria de ter sempre dinheiro? Todos nós. Para que isso aconteça, é necessário apenas pôr em prática o mais básico princípio de administração financeira: gastar menos do que se arrecada. Pondo em prática tal princípio e seguindo-o mês a mês, além de sempre ter dinheiro, a cada mês se terá menos surpresas nessa área [Pv 6.5]. Segundo Jorge Mashah: “Um orçamento é uma excelente ferramenta para administrar bem os gastos, de acordo com os rendimentos disponíveis. Nele devem ser anotados todos os ganhos, para saber, de fato, quanto se tem para gastar.

Em seguida, pode-se planejar e controlar todos os gastos, de modo que seja possível verificar para onde está indo o dinheiro” [Pv 6.6-8].

2.2. Controlar nossos impulsos.
De acordo com Jorge Mashah, precisamos frear o “impulso consumista”. Mesmo que haja dinheiro disponível, não significa que ele precisa ser gasto. Por mais dinheiro que uma pessoa receba, sempre haverá onde gastar, pois a tendência humana é ter sempre mais. As coisas que compramos nos satisfazem por algum tempo, depois queremos mudar, inovar, porque somos seduzidos por desejos consumistas [1Ts 5.21-22]. Por isso, precisamos nos conscientizar e aprender a controlar esse “impulso”, caso contrário, gastar mais do que ganhamos será frequente e os problemas financeiros estarão presentes no dia a dia [1Tm 6.9-10].

O Pr. Eliezer de Lira e Silva escreveu sobre os perigos da cobiça e do consumo inconsciente: “A cobiça de Acã trouxe-lhe completa destruição [Js 7.1-26]. Até mesmo Israel foi prejudicado, pois perdeu uma importante batalha. A cobiça, ou seja, o desejo descontrolado de adquirir bens materiais tem levado alguns crentes a serem incluídos no rol dos serviços de proteção ao crédito.
Atraídos pelo desejo de consumir insaciavelmente, compram e depois não podem pagar, perdendo toda a credibilidade e, ainda, recebendo a fama de mau pagador. A Palavra de Deus condena a ambição e a cobiça, pois elas são perigosas e fatais [Ec 6.7; Pv 27.20]. O crente não deve permitir que nada o domine. Aliás, o domínio próprio também é fruto do Espírito Santo [Gl 5.22]”.

2.3. A importância da reserva.
A Bíblia diz que é sábio economizar [Pv 21.5, 20]. Todos nós enfrentaremos períodos de escassez e circunstâncias adversas. Por isso, é bom estarmos sempre preparados.

Os especialistas financeiros aconselham as pessoas a guardar algum dinheiro, ter uma poupança. Aqueles que se exercitam nessa disciplina alcançam êxito [Pv 6.6-8]. Essa é uma atitude sábia de proteção para evitar problemas financeiros.

Pr. John D. Barnett escreveu:
“Muitas pessoas chegam à idade de 65 anos e têm poucos recursos para viver na velhice. É bom economizar – ter uma poupança (sugestão de 10%) para ser usada em emergência, educação, aposentadoria. Muitos casais jovens cedem à tentação de gastar em excesso. E quando incorrem em despesas inesperadas, têm de tomar emprestado. Isso frequentemente os precipita rumo ao endividamento de longo prazo – imite a formiga:
separe uma reserva no verão para estar preparado para o inverno”.

3. A presença de Deus no planejamento

O Senhor é o dono de tudo, inclusive de nossas vidas [Sl 24.1]. Reconhecê-lo como Senhor e pedir Seu auxílio e orientação são sempre as mais sábias das escolhas que fazemos.

3.1. Reconhecer Deus como Senhor de tudo.
Uma família submissa ao Senhor Jesus faz a diferença em todas as áreas do lar. O Senhor alertou o povo de Israel sobre a tendência de esquecer que Ele é quem dá força para trabalhar e todas as riquezas do mundo Lhe pertencem [Dt 8.10-11, 14, 17-18; 1Cr 29.11-14]. Grande parte de nossas vidas passamos trabalhando pelo dinheiro, tomando decisões em como gastá-lo e viabilizando uma forma de economizá-lo ou investi-lo. Busquemos a direção do Senhor em todo o tempo.

No comentário da Bíblia King James sobre Mateus 6.24, vemos que “Mamom” é uma palavra aramaica “para personificar um dos mais poderosos deuses pagãos de todos os tempos:
Dinheiro. (...) o Senhor adverte para a impossibilidade de se servir com lealdade a Deus e ao mesmo tempo amar o deus Dinheiro. Isso não quer dizer que Jesus seja contra os ricos e prósperos, mas, sim, que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males [1Tm 6.10].”

3.2. Administrar com sabedoria a nossa mordomia familiar.
O rei Davi, ao ofertar, disse: “...tudo vem de ti...” [1Cr 29.14]. Está conosco para que cuidemos bem e depois prestemos conta diante do Senhor.

Para o Pr. Elinaldo Renovato, o cristão deve administrar bem seus recursos, a fim de não pecar contra Deus e não expor a sua família ao vexame moral e privações. Quando Salomão se tornou rei, ele fez uma oração pedindo a Deus sabedoria para administrar o reino. Ele conhecia o poder do relacionamento com Deus. O sucesso de todo homem ou mulher de Deus estará sempre associado à sua comunhão com Deus [Gn 39.2].

A Professora Odila Braga de Oliveira escreveu: “Todo crente, como bom mordomo, deve aplicar os talentos que Deus lhe deu ganhando dinheiro, mas com o joelho em terra, em oração, e com o coração na obra do Senhor. Uma coisa absolutamente necessária é que esse dinheiro seja ganho com um trabalho honesto. O nosso emprego, o nosso negócio, o nosso ganho, não podem ir contra as normas da vida cristã. Não pagar dívidas, aproveitar-se do próximo, explorar o semelhante, ser irresponsável no trabalho, não pagar imposto, lesar o fisco, são atitudes condenáveis”.

3.3. Honrar a Deus também com as finanças.
Adorar a Deus também envolve as finanças e os bens da família [Pv 3.9]. Portanto, na elaboração do planejamento financeiro familiar, o primeiro item deve ser o dízimo e na distribuição ao longo do mês é necessário que as ofertas sejam consideradas [2Co 9.7-11]. A prática familiar em participar dos dízimos, ofertas, campanha do quilo e ajuda aos mais necessitados é uma verdadeira fortaleza contra o consumismo desenfreado e a tendência do esquecimento das orientações bíblicas, além de ser didático, pois contribui na formação de um caráter generoso e altruísta nos filhos.

Dentre as muitas exortações encontradas em Hebreus 13, uma se refere ao perigo do materialismo:Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes...” [v.5]. Avareza se refere ao amor ao dinheiro [1Tm 6.10], que é a raiz de todos os males. Este tipo de amor ocorre quando o dinheiro se torna uma finalidade em si mesma. As famílias da igreja precisam meditar constantemente nestes textos, pois o escritor sagrado acrescenta que o Senhor Deus não abandonará, nem desamparará aqueles que nEle confiam, mas será um presente e atuante Ajudador [Hb 13.6]. Sim, Deus cuida das famílias que O honram de maneira completa.

CONCLUSÃO
Que o Espírito Santo nos conduza também no planejamento e administração das finanças e dos bens que Deus tem permitido que estejam conosco. Que cada cristão se lembre que é possível desfrutar de um ambiente saudável no lar, mesmo não tendo abundância de riquezas [Pv 15.16; 17.1].

Estudo: Pr. Abner Ferreira | Reverberação: www.subsidiosebd.com

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